Avançar para o conteúdo

Taça das Favelas Cabo Verde: o futebol que vai formar as líderes da próxima geração

A contagem decrescente para a primeira edição da Taça das Favelas Cabo Verde já começou. No próximo dia 4 de julho, o campo de futebol de Ponta D’Água, na cidade da Praia, recebe a competição nacional feminina que irá marcar o início da caminhada de Cabo Verde rumo à competição internacional da Taça das Favelas 2027, Brasil. Mas o torneio é apenas uma das etapas de um projeto muito mais amplo, que une desporto, liderança feminina, inclusão social e mobilização nacional.

O percurso teve início a 21 de maio, com um concerto beneficente realizado no Centro Cultural Português, na cidade da Praia, promovido pela CUFA Cabo Verde e pela Associação Maracanã. O evento assinalou o lançamento oficial da campanha nacional e da plataforma de crowdfunding que permitirá a qualquer cidadão, empresa ou membro da diáspora contribuir para a preparação da futura seleção feminina cabo-verdiana que representará o país no Brasil em 2027. O concerto serviu igualmente para apresentar o programa EmpowerHer Cabo Verde, uma iniciativa de capacitação juvenil feminina associada à Taça das Favelas.

Inspirada no maior torneio de futebol das favelas do mundo, organizado pela Central Única das Favelas, desde 2012 e presente em dezenas de países, a Taça das Favelas Cabo Verde aposta no futebol feminino como ferramenta de incçusão e transformação social. O objetivo é selecionar e preparar uma equipa feminina capaz de representar o país internacionalmente, ao mesmo tempo que promove a participação das raparigas no desporto, o desenvolvimento de competências de liderança e a criação de novas oportunidades para jovens provenientes de comunidades urbanas e rurais de Santiago.

No dia 4 de julho, durante a 2ª edição do Kumunidadi Fest, as equipas femininas sub-17 de diferentes territórios irão disputar o apuramento nacional. Além da competição, o evento pretende afirmar-se como uma celebração da comunidade, da cultura e do talento juvenil, reunindo centenas de jovens, famílias, organizações sociais e parceiros institucionais.

Uma das características mais inovadoras da iniciativa é a criação de uma rede de cerca de 20 madrinhas e mentoras, mulheres de referência da sociedade cabo-verdiana que irão acompanhar as jovens atletas ao longo do processo. O papel destas madrinhas vai muito além do apoio simbólico: elas contribuirão para fortalecer a autoestima das participantes, abrir portas a novas oportunidades, partilhar experiências de vida e mobilizar recursos para a concretização do projeto. Através do programa EmpowerHer, as jovens terão acesso a formações em liderança, empreendedorismo, cidadania ativa e autonomia financeira, complementando a sua preparação desportiva.


Após a competição nacional, terá início uma nova fase dedicada à mobilização de recursos e preparação da seleção. Entre agosto de 2026 e meados de 2027 estão previstos eventos de angariação de fundos, ações junto da diáspora cabo-verdiana, encontros de mentoria, atividades comunitárias e a produção de um documentário que acompanhará a jornada das atletas. O objetivo é garantir que a equipa chegue ao Brasil não apenas preparada para competir, mas também capacitada para atuar como embaixadora dos valores de inclusão, igualdade e desenvolvimento comunitário.

Com o lema “Das comunidades para o mundo: formar líderes da próxima geração”, a Taça das Favelas Cabo Verde apresenta-se como um projeto de nação liderado por mulheres e apoiado por toda a sociedade. Mais do que descobrir talentos no futebol, a iniciativa pretende construir referências positivas para a juventude cabo-verdiana, demonstrando que o desporto pode ser uma poderosa ferramenta para formar cidadãs, líderes e agentes de mudança capazes de transformar as suas comunidades e representar Cabo Verde nos maiores palcos internacionais.

pt_PT