Avançar para o conteúdo

A lição de Cabo Verde para o mundo

O maior contributo que se pode deixar neste mundo, é saber que a nossa vida teve impacto positivo nos outros e tornou que se tornou numa referência e motivação para alcançar outros patamares.

Os tempos ditam as vontades.

Em 1975, Cabo Verde era um jovem país, lavrado por uma história de fomes e mortes por escassez. As referências para a democracia nasciam de outros países. As probabilidades deste arquipélago tornar-se numa das democracias mais estáveis do continente africano, eram demasiado baixas. Terá sido mesmo inacreditável, naquele tempo, pensar a realidade que vivemos hoje como país.

A geração que adveio deste tempo, foi a verdadeira referência que ainda perdura nos tempos atuais e tem construído os modelos seguintes.

É nesta geração que encontramos as mulheres pioneiras nas mais diversas áreas, até na luta de libertação. Estes foram os tempos mais difíceis, as oportunidades locais eram reduzidas, mas foram alavancadas pela enorme capacidade de diplomacia que Cabo Verde começou a construir desde esses tempos e que perdura até hoje.

É preciso continuarmos a construir as referências do futuro e com isso compreender que na acelerada transformação atual, em muitos momentos, vamos ter de continuar a advogar pela participação feminina, porque onde ela não está, ela não tem a possibilidade de ser vista, pensada e construída.

Onde não tivermos referências, teremos de ser pioneiras, mas sempre inspiradas por outras imagens femininas, mesmo que noutras áreas.

Os feitos da nossa seleção no mundial da FIFA comprova-nos que ser pequeno não é condição para o fracasso. Cada cabo-verdiano tem a possibilidade de mudar o seu destino para melhor.

São estes exemplos que queremos levar às jovens meninas que estarão a competir na Taça das Favelas Cabo Verde, no dia 4 de julho. Por mais um ano, a CUFA Cabo Verde investe na organização de um festival comunitário, o Kumunidadi Fest, este ano implementado pelos jovens da comunidade e por um grupo de jovens de Portugal que quis aderir a este projeto que visa colocar o poder de transformação nas mãos da juventude.

Mas quando falamos de juventude, falamos da importância de nos aproximar às referências positivas da sociedade que poderão abrir as portas da sua curiosidade sobre o futuro.

É por isso, que, para falarmos da Taça das Favelas, precisávamos de ir buscar as referências que podem inspirar as nossas jogadoras, tendo o desporto como ferramenta de impacto para transformar noutras áreas como a ciência, o digital, a sustentabilidade, a área financeira, os direitos humanos e tantas outras áreas.

É por isso também, que eu não me canso de agradecer às 20 madrinhas da Taça das Favelas e do programa EmpowerHer Cabo Verde que aceitaram de forma voluntária, investir do seu tempo para partilhar as suas histórias e especialmente o que as levou a acreditar que ser pioneira numa determinada área ou pensar de forma diferente era algo que era preciso ser feito, não apenas com a intenção individual, mas para abrir caminho para as que vierem a seguir.

O nosso objectivo com este projeto é que estes jovens possam dar passos firmes no seu futuro, sabendo, pela experiência de participar na Taça das Favelas, que os sonhos são o primeiro incentivo para qualquer enorme façanha que à partida parece impossível de ser atingida. Afinal, essa tem sido a lição de Cabo Verde para o mundo: impossível é apenas aquilo que ainda não tentámos.

O objetivo central é preparar estes jovens para assumirem papeis ativos na transformação das suas comunidades, com ferramentas que os capacitem a agir de forma autónoma, consciente e colaborativa.

pt_PT